Exposições

Exposição de Instrumentos de Música Antiga

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Cenografia, montagem e comunicação visual para a Exposição de Instrumentos de Música Antiga – SESC Carmo.

 

O SILÊNCIO ELOQUENTE DOS INSTRUMENTOS DA MÚSICA ANTIGA

Instrumentos musicais antigos não testemunham apenas práticas musicais de outrora. Eles escondem, em suas formas torneadas e decoradas, compreensões distintas de homem e de mundo, e nos dão a chave para recuperar um universo há tempos desaparecido. É possível aprender muito com os instrumentos antigos.
Os instrumentos barrocos mostram uma concepção de música, na qual existe um enorme cuidado com a forma – um zelo que ultrapassa em muito o efeito sonoro. Para os homens dos séculos XVII e XVIII, a beleza do instrumento se reflete no som, e é parte integrante de uma encenação na qual o compositor calcula como mover os afetos de seus ouvintes, como se todos fossem personagens de um grande teatro, o Teatro do Mundo.
Cada instrumento traz consigo, pelos materiais que o constituem e pelo seu timbre, a potência de intervir nas paixões humanas. E, segundo as autoridades clássicas, lidas e constantemente reinterpretadas, todos os sons humanos são signos destas paixões, e estas, por sua vez, marcas definidoras do homem. Claudio Monteverdi, em meados do século XVII, se nega a musicar um texto em que os ventos devem cantar. Para ele, só os afetos humanos podem mover: “Arianna soube mover as paixões por ser mulher, e Orfeu também o soube por ser homem, e não vento”.
Nas pinturas seiscentistas, os instrumentos simbolizam o prazer dos sentidos: o deleite nas coisas vãs, que vem refletido em pinturas de flores, livros e instrumentos musicais, que nos dizem que todas as coisas mundanas são passageiras.
Nessas mesmas pinturas, os instrumentos podem ainda simbolizar diferentes harmonias: a das esferas celestes, ou, por exemplo, aquela resultante do equilíbrio ou desequilíbrio entre os humores do corpo humano, podendo determinar o caráter causando a saúde ou a doença, a sanidade ou a loucura.
Por fim, eles podem ainda simbolizar o gênero em que o discurso está sendo proferido: o gênero da poesia épica pela trombeta, o lírico pela lira.
Assim, para os homens dos séculos XVII e XVIII, instrumentos não são apenas ferramentas para produzir sons que deleitam os ouvidos. São símbolos de verdades eternas, representam mundos diversos, simbolizam a concórdia ou a discórdia, situam o espectador em universos pastoris, infernais, divinos, e finalmente desvendam um mundo de representações codificadas, para as quais precisamos recuperar as chaves.
Nesse passeio pela história, vamos nos enveredar por tais símbolos e adentraremos num mundo de representações há muito desaparecidas.

Texto: Profa. Dra. Mônica Lucas

Coleção e Curadoria: Ernesto Ett

Produção e Cenografia: Jefferson Duarte e Alessandra Godano

Realização SESC Carmo


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